Crítica 1
Ao entendermos que a arte e a estética devem empreender os valores da verdade, aprendizagem aliada ao respeito, prazer e humildade, não poderíamos de registar que a pintura de Ana Maria Godinho está polvilhada de vitalidade criativa bem assinalável.
Os seus quadros apresentam uma ímpar congregação de estilos e técnicas, onde a arte não tem como objectivo representar a aparência externa das coisas, mas sim o seu significado interior.
A sua paixão pela criação na tela é patente, tanto na imaginação como no realismo que a envolve de uma forma intensa no quotidiano das suas vivências.
Digamos, que só assim se consegue uma honesta notoriedade intelectual e artística, alicerçando o seu vasto de curriculum de exposições (individuais e colectivas) cuja crítica é unânime em considerá-la como uma das referências nas artes plásticas, tanto na pintura como na escultura.
Ana Maria Godinho procura contrariar “os manipuladores” da arte. A sua persistência sobrepõe-se ao conceito do enriquecimento do próprio artista perante a obra criada.
Tal como António José Saraiva, partilhamos «que a Cultura opõe-se a natura ou natureza, isto é, abrange todos aqueles objectos ou operações que a natureza não produz e que lhe são acrescentados pelo espírito (...). A religião, a arte, o desporto, o luxo, a ciência e a tecnologia são produtos da cultura.»
Por isso mesmo, neste tempo de crise global – a artista sedimenta a sua obra em valores humanos e simbólicos e num múltiplo projecto criativo susceptível de uma reflexão de dispares linguagens e de uma dualidade artística que evidencia os grandes campos de saber sobre o que representa a arte enquanto elemento temporal da própria sociedade.
O mundo pictórico de Ana Maria Godinho, reflecte toda uma sensibilidade nobre, lírica e sincera, transmitida sempre numa harmoniosa captação do belo, pautando sempre por uma observação fruída pelo repensar e pelo uso de novas técnicas inovadoras.
Artur Vaz, Escritor
" Observo com interesse o percurso vivencial de Ana Maria Godinho
desde que, vinda da Sua Moçambique natal, a conheci há 31 anos em
Joanesburgo, mais precisamente em Egoli a cidade do ouro.
Jà naquela distante oportunidade se sentia a inquietação artística que
manifestava. Adivinhava-se alguém que no âmbito das artes plásticas,
pretendia "desbravar" o mundo.
Tinha talento e era fácil vislumbrar-lhe futuro promissor nessa tão
difícil área.
Visitei-a mais tarde em Londres quando aí fixou residênia. Sempre com
o mesmo desígnio. Percorria museus, bebia arte, aprendia enfim.
Anos mais tarde privei com ela em Caracas, quando ali se instalou.
Vi-a frequentando workshops e academias de arte.
Documentava-se, descobria e pintava. Sempre.
Constatei agradado que o fazia cada vez com maior segurança e mestria.
Porque não afirmar com maior génio?
Reencontrei-a agora em Portugal numa das suas últimas exposições.
Amadureceu, está com personalidade, técnica e o q.b. de fantasia
cromática.
Tem tido o êxito que a sua arte e querer lhe proporcionaram.
Parabéns Ana Maria!
Rodrigo Pombeiro, pintor / coordenador da TAM